Adolescentes Abril 13, 2008
Posted by Luiz de Campos Jr in De costas para a lousa....Tags: Auto-responsabilização, Educação, educador, Escola, reforma educacional
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Nós, professores, temos tido cada vez mais dificuldades com os alunos adolescentes. Queixamo-nos de que eles “não querem nada com o estudo”, “não têm nenhum respeito pelo professor”, “são agressivos e mal-educados”, “são consumidores vorazes”, “só querem saber de notas”, dentre tantas outras mazelas apresentadas. Isso para não falar dos “casos críticos”, como os drogados e delinqüentes.
Somam-se – como agravantes – as características que são inerentes a essa fase da vida. Afinal, quem agüenta tamanha atividade hormonal, inconformidade social, alegria despreocupada, questionamentos existenciais, crises auto-afirmativas, energia vital, potencial criativo, inadaptabilidades, solidariedade grupal, sede de experiências, etc.? É quase insuportável!
Voltando as mazelas. Apontamos – e atiramos – para diversas possíveis causas: a sociedade que se tornou por demais permissiva, a cultura consumista, a falta de autoridade dos pais, a desvalorização do professor, insuficientes investimentos públicos em educação, a falta de ética dos governantes…
Mas se existe uma coisa que chama a atenção nesse extenso rol é o fato de existir uma possível causa que raramente é arrolada: a própria escola! O mais interessante é que – como profissionais da Educação – essa é uma das poucas causas sobre a qual temos possibilidade de intervenção efetiva.
Explico apresentando alguns exemplos de hipóteses que poderiam ser formuladas: Será que a falta de disposição juvenil para o estudo não pode ser explicado a partir da crítica sobre como o estudo lhes é apresentado? Será que a agressividade dos alunos não pode ser lida como reativa a uma estrutura escolar obsoleta? A análise do desrespeito ao professor não deveria incluir o estudo das estruturas relacionais de toda comunidade escolar? Será que a preocupação exclusiva com as notas não é conseqüência direta do modelo de avaliação utilizado? Será…?
Na condição de professores temos pouca capacidade de ação direta sobre as vicissitudes da dinâmica sócio-político-cultural, e nenhuma no desenvolvimento psico-fisiológico do adolescente. Mas e quanto a escola? E pela Educação?

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